29 . 11 . 2025 Metabolismo e Dados

Ozempic, Mounjaro e a Ciência: O que os dados realmente dizem sobre o tratamento da obesidade (sem milagres)




"A obesidade não é uma falha de caráter ou falta de força de vontade. É uma doença crônica complexa, e os dados mostram que deve ser tratada como tal."




Você provavelmente já ouviu falar do "efeito Ozempic" ou das novas "canetas emagrecedoras". Mas entre o hype das redes sociais e a realidade do consultório médico, existe um abismo de informações.



Respeitando as diretrizes de publicidade médica do CFM (Conselho Federal de Medicina), meu objetivo aqui não é prometer resultados mágicos, mas traduzir a ciência mais recente (baseada no UpToDate 2025) sobre como essas medicações funcionam, para quem elas servem e, principalmente, quais são os riscos.




Ilustração científica de metabolismo celular
Entender a biologia molecular é o primeiro passo para tratar a obesidade com seriedade.



1. Não é "remédio para emagrecer", é tratamento metabólico



Medicamentos como a Semaglutida (Ozempic, Wegovy) e a Tirzepatida (Mounjaro) atuam imitando hormônios que seu intestino produz naturalmente (GLP-1 e GIP).



O que os dados mostram: Eles não apenas reduzem o apetite. Eles agem no cérebro (hipotálamo) regulando a saciedade e melhoram a forma como o corpo lida com a insulina.



Estudos clínicos robustos (STEP trials) demonstram que, quando aliados a mudança de estilo de vida, a perda de peso pode variar, em média, de 15% (Semaglutida) a mais de 20% (Tirzepatida). Nota importante: Estes são dados médios de estudos populacionais; cada indivíduo responde de forma única.



2. O Efeito Rebote existe?



Essa é a pergunta número um no consultório. E a resposta honesta, baseada em evidência, é: Sim, se o tratamento for encarado como temporário.



A Visão da Ciência de Dados:


A obesidade é uma doença crônica, assim como a hipertensão. Se você para de tomar o remédio da pressão, ela sobe. Se você para o tratamento da obesidade sem ter construído uma base sólida muscular e comportamental, o peso volta.


Dados de estudos de retirada mostram que pacientes que pararam a medicação recuperaram cerca de 2/3 do peso perdido em um ano. Por isso, encaramos como tratamento de longo prazo.




3. Os Riscos e o "Lado B" (Transparência Ética)



Seguindo o princípio da transparência do CFM, é fundamental falar sobre o que não é "glamouroso". Estas medicações não são isentas de riscos.



  • Efeitos Gastrointestinais: Náuseas, vômitos e constipação afetam cerca de 20-40% dos pacientes, especialmente no início.

  • Perda de Massa Muscular (Sarcopenia): Este é o ponto onde minha atuação como cientista de dados é crítica. Perder peso rápido sem monitorar a composição corporal pode fazer você perder músculo, o que destrói seu metabolismo basal.

  • Contraindicações: Histórico de pancreatite ou certos tipos de câncer de tireoide na família exigem cautela absoluta.




Alimentação saudável e balanceada


4. A Tecnologia não substitui o Básico



O UpToDate é categórico: "O uso de medicação sem mudanças de estilo de vida é geralmente ineficaz a longo prazo."



Na minha prática, usamos a medicação como uma ferramenta para "baixar o volume" da fome biológica, permitindo que você consiga, finalmente, implementar a dieta e o treino que seus dados indicam ser os ideais para você.




Vamos tratar sua saúde metabólica com seriedade?


Agende uma consulta para avaliarmos seus dados, seus exames e definirmos se este tratamento é indicado e seguro para o seu perfil.




Fontes: UpToDate® Obesity in adults: Drug therapy (2025); Resolução CFM 2.336/2023.




Dr. Victor Hugo Ovani Marchetti

Médico & Cientista de Dados

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