Módulo 7 — Ensaios Clínicos Aula 7.7

Redução relativa, absoluta do risco e NNT

NNT, redução relativa e absoluta do risco: interpretando o benefício real

Entender o NNT (número necessário para tratar), junto com a redução relativa e absoluta do risco, é essencial para saber o quanto um tratamento realmente beneficia os pacientes na prática. Esses três indicadores traduzem os resultados estatísticos de um ensaio clínico em uma linguagem útil para a decisão clínica no dia a dia.

Redução relativa do risco

A redução relativa do risco (RRR) mostra o quanto o risco de um desfecho diminuiu no grupo de intervenção, em comparação ao grupo controle, expresso em porcentagem. Ela é calculada dividindo a diferença de risco entre os grupos pelo risco do grupo controle.

O problema da redução relativa do risco é que ela pode parecer impressionante mesmo quando o benefício absoluto é pequeno. Uma redução relativa de 50% soa como um efeito grande, mas se o risco basal do desfecho era de apenas 1%, a redução representa passar de 1% para 0,5%, uma diferença absoluta pequena. Por isso, a redução relativa do risco, sozinha, pode induzir a superestimar o benefício de um tratamento.

Redução absoluta do risco

A redução absoluta do risco (RAR) é simplesmente a diferença entre o risco do desfecho no grupo controle e o risco no grupo de intervenção, sem transformar essa diferença em porcentagem relativa. Ela expressa o benefício real, em termos absolutos, de tratar um grupo de pacientes com a intervenção estudada.

Comparada à redução relativa, a redução absoluta do risco oferece uma visão mais honesta do tamanho do efeito, especialmente quando o risco basal da doença é baixo. É por isso que a leitura crítica de qualquer estudo deve sempre buscar o dado de redução absoluta, e não apenas o relativo, que costuma aparecer com mais destaque nos resumos e nas manchetes.

O que é o NNT

O NNT é calculado como o inverso da redução absoluta do risco (1 dividido pela RAR) e representa quantos pacientes precisam ser tratados com a intervenção, durante o período do estudo, para que um desfecho adicional seja evitado, em comparação ao grupo controle.

Por exemplo, um NNT de 20 significa que é preciso tratar 20 pacientes com aquela intervenção para evitar um evento (como um infarto ou uma hospitalização) que ocorreria se esses mesmos pacientes tivessem recebido apenas o controle. Quanto menor o NNT, maior a eficiência do tratamento em termos de benefício clínico por paciente tratado.

Como interpretar o NNT na prática

Alguns pontos importantes ao usar o NNT na decisão clínica:

  • O NNT sempre se refere a um desfecho específico e a um período de tempo específico, os mesmos usados no estudo original. Não é correto generalizar o NNT para outros desfechos ou prazos.
  • O NNT deve ser comparado ao NNH (número necessário para causar dano), quando disponível, para equilibrar benefício e risco da intervenção.
  • Um NNT considerado "bom" varia conforme a gravidade do desfecho evitado: um NNT de 50 pode ser excelente para prevenir morte, mas pouco atrativo para um desfecho leve.

Por que isso importa na prática clínica

Ao conversar com um paciente sobre iniciar ou não um tratamento, o NNT e a redução absoluta do risco fornecem uma base muito mais concreta para a decisão compartilhada do que a redução relativa do risco isoladamente. Saber calcular e interpretar essas medidas evita decisões baseadas apenas em números relativos que soam impressionantes, mas escondem um benefício absoluto modesto.

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