Módulo 7 — Ensaios Clínicos Aula 7.5

Randomização 2

Métodos de randomização e sigilo de alocação em ensaios clínicos

Existem vários métodos de randomização além do sorteio simples, cada um pensado para resolver problemas práticos de equilíbrio entre os grupos de um ensaio clínico. Conhecer essas variações, junto com o conceito de sigilo de alocação, ajuda a avaliar se um estudo realmente protegeu a comparação entre intervenção e controle contra manipulações e desequilíbrios.

Randomização em blocos

A randomização em blocos organiza a alocação em pequenos grupos de tamanho fixo, por exemplo blocos de quatro ou seis participantes, dentro dos quais o número de pacientes em cada braço do estudo fica equilibrado. Isso evita o problema da randomização simples, em que grupos podem ficar com tamanhos muito diferentes, especialmente em estudos pequenos ou quando a inclusão de pacientes é interrompida antes do previsto.

A limitação desse método é que, se o tamanho do bloco for previsível, um pesquisador atento poderia adivinhar a alocação dos últimos pacientes de cada bloco. Por isso, muitos estudos usam blocos de tamanho variável, sorteados aleatoriamente entre algumas opções.

Randomização estratificada

A randomização estratificada é usada quando existe uma variável que pode influenciar fortemente o desfecho, como a gravidade da doença ou o centro de pesquisa em um estudo multicêntrico. Nesse método, os participantes são primeiro divididos em subgrupos (estratos) de acordo com essa variável, e a randomização em blocos é feita separadamente dentro de cada estrato.

O resultado é um equilíbrio melhor entre os grupos em relação a essa característica específica, reduzindo a chance de que ela distorça a comparação entre intervenção e controle, especialmente em amostras menores.

Randomização por conglomerados

Em alguns estudos, a alocação não é feita por paciente individual, mas por grupos inteiros, como escolas, unidades de saúde ou cidades. Esse método, chamado randomização por conglomerados (cluster), é útil quando a intervenção é aplicada em nível coletivo e será discutido com mais detalhe em uma aula específica do módulo.

O que é sigilo de alocação

O sigilo de alocação é a garantia de que ninguém envolvido na inclusão dos participantes consiga prever, antes da confirmação, para qual grupo o próximo paciente será designado. Isso é diferente do cegamento, que se refere ao desconhecimento do grupo depois da alocação já feita.

Sem sigilo de alocação, mesmo um estudo com randomização tecnicamente correta pode sofrer viés de seleção. Um exemplo clássico: se o pesquisador sabe, mesmo que parcialmente, qual será a próxima alocação, ele pode (consciente ou inconscientemente) decidir incluir ou não determinado paciente no estudo, dependendo do grupo que esse paciente receberia.

Métodos comuns para garantir sigilo de alocação incluem:

  • Envelopes opacos e lacrados, numerados sequencialmente.
  • Sistemas centralizados por telefone ou internet, em que a alocação só é revelada após a confirmação da inclusão do paciente.
  • Farmácias independentes, que preparam a medicação sem revelar o grupo à equipe assistencial.

Por que isso importa na prática clínica

Ao ler um ensaio clínico, não basta verificar se houve randomização: é preciso avaliar qual método de randomização foi usado e se o sigilo de alocação foi garantido. Estudos que descrevem claramente esses dois elementos costumam ter menor risco de viés de seleção, o que aumenta a confiança nos resultados relatados.

Assista a aula completa acima para ver exemplos práticos e continue para a próxima aula do módulo.