Módulo 2 — Estudos de Coorte e Controle de Confundimento Aula 2.6

Risco relativo

Risco Relativo: Como Interpretar essa Medida de Associação

O risco relativo é a medida de associação mais citada em estudos de coorte e ensaios clínicos, indicando quantas vezes um grupo exposto tem mais (ou menos) chance de desenvolver um desfecho em comparação a um grupo não exposto. Saber calcular e, principalmente, interpretar corretamente o risco relativo evita que você superestime ou subestime o real impacto de uma exposição na prática clínica.

O que é risco relativo

O risco relativo (RR), também chamado de razão de riscos, compara a incidência do desfecho entre dois grupos: aqueles expostos a um fator e aqueles não expostos. Ele é calculado dividindo o risco absoluto no grupo exposto pelo risco absoluto no grupo não exposto.

A fórmula é:

Risco relativo = risco absoluto nos expostos / risco absoluto nos não expostos

Por exemplo, se o risco de infarto em cinco anos é de 10% entre hipertensos e de 5% entre normotensos, o risco relativo é 2, ou seja, hipertensos têm o dobro do risco de infarto em relação a normotensos.

Como interpretar os valores do risco relativo

A interpretação do risco relativo segue uma lógica direta:

  • RR = 1: não há associação entre exposição e desfecho, pois o risco é igual nos dois grupos.
  • RR > 1: a exposição está associada a um aumento do risco do desfecho (fator de risco).
  • RR < 1: a exposição está associada a uma redução do risco do desfecho (fator protetor).
Quanto mais distante de 1, seja para cima ou para baixo, mais forte é a associação observada entre a exposição e o desfecho.

Onde o risco relativo pode ser calculado

O risco relativo só pode ser calculado diretamente em desenhos de estudo que permitem estimar a incidência do desfecho, como:

  • Estudos de coorte, prospectivos ou retrospectivos.
  • Ensaios clínicos randomizados, nos quais a alocação da exposição (intervenção) é controlada pelo pesquisador.
Em estudos de caso-controle, não é possível calcular o risco relativo diretamente, pois a amostra é selecionada a partir do desfecho, e não da exposição. Nesses casos, utiliza-se a razão de chances (odds ratio) como estimativa aproximada.

Cuidados na interpretação do risco relativo

Um erro comum na prática clínica é interpretar o risco relativo isoladamente, sem considerar o risco absoluto de base. Um risco relativo de 2 pode representar:

  • Um aumento de risco de 1% para 2% (impacto absoluto pequeno).
  • Ou um aumento de risco de 30% para 60% (impacto absoluto muito relevante).
Por isso, sempre que possível, complemente a leitura do risco relativo com o risco absoluto e o risco atribuível, que traduzem o impacto real da exposição em termos práticos.

Risco relativo na tomada de decisão clínica

Ao avaliar um estudo, o risco relativo ajuda a responder: "essa exposição aumenta ou diminui a chance do desfecho, e em que magnitude proporcional?". Essa informação é valiosa para hierarquizar fatores de risco e comparar a força de diferentes associações entre estudos distintos.

No entanto, decisões clínicas individuais devem sempre considerar também o risco absoluto do paciente, já que o mesmo risco relativo pode ter implicações práticas muito diferentes dependendo do risco basal de cada pessoa.

Assista a aula completa acima para ver exemplos práticos e continue para a próxima aula do módulo.